Cancioneiro
Não sou eu quem descrevo. Eu sou a tela
E oculta mão colora alguém em mim.
Pus a alma no nexo de perdê-la
E o meu prinsípio floresceu em Fim.
Que importao tédio que dentro de mim gela,
E o leve Outono, e as galas, e o marfim,
E a congruência da alma que se vela
Como os sonhados pálios de cetim?
Disperso ... E a hora como um leque fecha-se...
Minha alma é um arco tendo ao fundo o mar...
O tédio? A mágoa? A vida? O sonho ?Deixa-se...
E, abrindo as asas sobre Renovas,
A erma sombra de vôo começando
Pestaneja no campo abandonado...
Fernando Pessoa
posted by Marcos William Santos at 5:53 PM
Comércio e nobreza ¿ Comprar e vender são agora comuns, tal como a arte de ler e escrever; cada qual se exercitou nisso, mesmo não sendo comerciante, e pratica diariamente essa técnica: assim como outrora, quando os seres humanos eram mais selvagens, cada um era caçador e exercitava dia após dia a técnica da caça. Naquele tempo a caça era comum: mas assim como ela tornou-se enfim privilégio dos poderosos e nobres, perdendo com isso a natureza de algo cotidiano e comum ¿ ao deixar de ser necessárias e tornar-se questão de luxo e capricho: - o mesmo poderia suceder algum dia com a atividade de comprar e vender. Podemos imaginar condições sociais em que não se compra e vende, em que é gradualmente perdida a necessidade dessa técnica: talvez, então, pessoas menos sujeitas à lei das condições gerais permitam-se comprar e vender como um luxo de sensibilidade. Só então o comércio adquiriria nobreza, e os nobres talvez se dedicassem a ele de tão bom grado como à guerra e à política até o momento: enquanto a apreciação da política poderia ter mudado completamente. Já agora ela está deixando de ser ofício do homem nobre: é possível que ela venha a ser considerada tão comum, que seja posta sob a rubrica de ¿prostituição do espírito¿, como tudo o que se escreve para os partidos e os jornais.
Nietzsche ¿ Gaia Ciência
posted by Marcos William Santos at 3:10 AM
imagem tirada da capa de um informativo da crimethinc
posted by Marcos William Santos at 2:55 AM
TAI FU KU
(China)
Numa Azáfama Constante
Os negócios não os deixam descansar
De noite fazem contas de dia galopam
A sua vida é uma azáfama constante
Desconhecem que sobre as suas casas o céu é azul.
posted by Marcos William Santos at 2:47 AM