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Sexta-feira, Dezembro 23, 2005

Como colocar no papel tudo aquilo que vivemos em um dia, ou quem sabe em menos segundos ainda, um relapso que passou, ou uma criança brincando no balanço. Tudo é tão efêmero, sentimos a contínua e ininterrupta passagem dos dias que atravessam nossas alvoradas e escapam através dos horizontes purpúreas das tardes, acreditando que realmente é possível atravessar nossos dias em uma evolução linear, e progressiva de nossas vidas. Qualquer pessoa que se paralise por alguns segundos pra observar com calma a vida em sua efervescência, percebe a rede circular e múltipla conectando a tudo e a todos através de seu eterno retorno. sei que posso estar me atrevendo em demasia ao afirmar tais estultices, mas como já disse o poeta com seu gélido coração ardente, peco pelo excesso. Em um tempo de estupro publicitário e de produção industrial de fantoches, o ser humano caminha como se a vida fosse uma equação matemática, capaz de elaborar probabilidades e estatísticas que facilitem escolher uma direção certa, um futuro promissor... Ao meu modesto ver, fórmulas são para problemas de matemática e não para serem aplicadas na rede da vida . A tecnologia do sempre vencedor, eclipsou o prazer do simples ser, tomar uma cerveja e sentir as borbulhas estourando na língua, no céu da boca, já não bastam, em tempos outros, isso bastou para os grandes poetas, que não se sentiam esmagados pelo peso do querer ou muito menos do parecer. perceber as dimensões circulares que a vida toma em seu percurso, e com calma caminhar sentindo a brisa da noite, sem a pressa pelo que tem que ser.

Lukati

posted by zé | 6:31 PM
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Man Ray - La prière - 1930

posted by zé | 11:39 AM
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Sexta-feira, Dezembro 02, 2005

são nas noites silenciosas, nas madrugadas solitárias que muitas vezes nos deparamos como sentimentos que ha muito estavam a deriva, esperando por nossos ouvidos, como se vagassem pelas ruas, sem rumo e com pouca importância...Me pegava pensando em como o indivíduo da sociedade de consumo tem uma prédisposição para a auto-vitimização, a todo momento se encontra sufocado pela constante produção de culpa, como se tivessemos em nosso inconsciente o dono de nossos atos, "nosso senhor", que a todo momento verifica se estamos nos comportando de maneira correta, se estamos atendendo as necessidades mais básicas de uma sociedade guiada para a auto-submissão. E muitas vezes acabo por perceber o quanto o indíviduo se perde em um mar de queixas, reclama-se de tudo e produzem-se reclamações a todo momento nos mecanismos midiáticos para que assim a vida seja mais suportável, ou pelo menos um pouco menos intolerável. Talvez uma possível ruptura com uma vida voltada para o constante reclamar proporcione novas redes de relação que sejam capazes de produzir situações inversas das que são dominantes na sociedade de trabalho atual, onde é preciso ter para ser, e se não temos, reclamamos para suportar. Romper com o acúmulo constante de lamentações e inverter a lógica da resistência baseada na constante vitimização do indíviduo, podem proporcionar uma estratégia que rompa com a normalização das mentes e o adestramento moral dos indíviduos.

posted by zé | 2:00 PM
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